VIDA
(anotação
sobre um dia triste)
Para
minha avó Amélia.
Só agora tomei, de fato,
consciência de algo que já sabíamos: somos poucos. E cada vida com sua
existência isolada, como as estrelas que, no céu aparente, são quase vizinhas. Há
milhões de anos luz entre elas. Talvez nunca se encontrem. Tomo consciência de
que, de fato, somos vidas pulverizadas. Estrelas. Cacos de vidro. Vagalumes.
Nosso tempo partia da voz de um corpo que já não existe mais. Isso nos unia.
Ouvir como éramos antes de nós mesmos, dava-nos a certeza exata do tempo de
quando seríamos. Eu mesma conto isso agora e me desespero. Apesar de ter ouvido
tantas vezes. Agora o quarto está vazio. Há espaço demais nesta casa tão pouca
de palavras.
Carmélia M. Aragão
Sobral, 20/08/13.
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