sexta-feira, 6 de setembro de 2013

VIDA (anotação sobre um dia triste)



VIDA
(anotação sobre um dia triste)
Para minha avó Amélia.


Só agora tomei, de fato, consciência de algo que já sabíamos: somos poucos. E cada vida com sua existência isolada, como as estrelas que, no céu aparente, são quase vizinhas. Há milhões de anos luz entre elas. Talvez nunca se encontrem. Tomo consciência de que, de fato, somos vidas pulverizadas. Estrelas. Cacos de vidro. Vagalumes. Nosso tempo partia da voz de um corpo que já não existe mais. Isso nos unia. Ouvir como éramos antes de nós mesmos, dava-nos a certeza exata do tempo de quando seríamos. Eu mesma conto isso agora e me desespero. Apesar de ter ouvido tantas vezes. Agora o quarto está vazio. Há espaço demais nesta casa tão pouca de palavras.  


Carmélia M. Aragão
Sobral, 20/08/13.

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