sexta-feira, 15 de março de 2013

Crônica: COPA, SECA e IDH.



Sertão-foto: Felipe Abud


COPA, SECA e IDH.

Raimundo Aragão
rn_aragao@hotmail.com
    
 O Brasil se mobiliza para realizar a Copa do Mundo de 2014. Trata-se de evento internacional e nossa imagem está em jogo. A seleção poderá até fracassar  em campo, mas o Brasil na organização da Copa, jamais.  Estádios (arenas, agora) monumentais, viadutos, são construídos.  Metrôs e outros grandes projetos na área de mobilidade urbana são rapidamente implementados em 12 importantes capitais. Há um esforço coordenado  do poder público nas esferas municipal, estadual e federal, inclusive,  com recursos do exterior para realizar essas obras, tidas e aceitas por mim, pela torcida do Guarany de Sobral e pelo papa Francisco que gosta de futebol, como prioritárias. Além disso, estas permanecerão após a festa e os moradores das  metrópoles hoje sufocados pelo trânsito serão beneficiados.
   Por que isso não ocorre com relação à seca? Alguém tem dúvidas de que o abastecimento de água e comida é prioridade máxima?
   Há registros de uma grande estiagem no Ceará entre 1580 e 1583, quando o colonizador nem havia chegado. Daquele ano até 2013,  a seca virou literatura nas penas de Rodolfo Teófilo, Domingos Olímpio, Graciliano Ramos. Foi tema de debates calorosos no Congresso, desde os tempos do Império. Virou piada nas palavras do Imperador Pedro II que prometeu “ vender até a última joia da Coroa para salvar os flagelados” e na ação de governo que colocou na década de 1970,  alguns babacas num  velho DC3 carregado de sal que era jogado nas nuvens para produzir chuva. Que nuvens?
    A seca não é, portanto,  um fenômeno isolado. Ao contrário, faz parte da nossa rotina, tal qual terremotos no Japão. Lá, todas as estruturas de edificações foram adaptadas. A população é treinada para enfrentar o problema, o que evita  mortes e destruição. Israel e Estados Unidos (em algumas regiões) enfrentaram com seriedade as secas e obtiveram bons resultados. É claro que a realidade daqueles países é outra,  em se tratando de latitude, clima e solo, mas as modernas tecnologias estão aí para serem utilizadas. Por sinal, a presidenta Dilma acaba de anunciar o aporte de 32,5 bilhões de reais para inovação em tecnologia. Será para elevar a produtividade da soja no interior de São Paulo onde os agricultores enfrentam sério problema: faltam carretas para transportar o produto, em virtude da grandiosidade da safra.
 . Milhões de recursos foram gastos através da Sudene, DNOCS, Banco do Nordeste e milhões de brasileiros morreram de fome, sede e doenças relacionadas à miséria. Em pleno ano de 2013, segundo ano de seca terrível,  pouca coisa mudou nessa triste história. As pessoas continuam sofrendo com a falta de água potável e vendo, impotentes, seus animais morrerem aos montes. Nas cidades já se nota  a escassez de vários produtos agrícolas e os preços dispararem, penalizando sempre os mais pobres.
   A providência mais visível no Nordeste é a decretação, de “estado de emergência”, após cada seca instalada.. A palavra “emergência” lembra-nos sempre o espaço  dantesco dos hospitais de onde ninguém sai curado, (às vezes sobrevive). A cura vem através de procedimentos em salas de cirurgia, laboratórios, clínicas de reabilitação. No caso das secas, passado o sufoco com a chegada das chuvas, finge-se que o grande mal não retornará e nenhuma providência radical, eficaz,  é tomada. O presidente Juscelino conseguiu, em 1958,  feijão e arroz (ruins) do exterior e muito jabá do Sul e ninguém passou fome. Em 2013, o  milho deixou de vir  do Centro-Oeste, onde está sobrando com a supersafra, a tempo de salvar parte dos rebanhos, por que um burocrata do Ministério “esqueceu” de assinar  a autorização.
O governo brasileiro investe bilhões no combate à desigualdade social, no que vem conseguindo bons resultados. A incoerência, o erro histórico é deixar a região Nordeste refém do clima, puxando para baixo, os números que refletem os resultados desse investimento.. No país com a maior reserva de água doce do mundo, cidadãos sofrem sem água. No maior produtor de soja e milho, parte dos rebanhos morre de fome. O resultado é que, apesar das conquistas, na aferição do  IDH – Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, o Brasil ficou atrás dos nanicos Uruguai e Chile, da falida Argentina e, pasmem: perdeu feio para Venezuela e Cuba, pátrias dos “demônios” Chávez e Fidel.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Um pequeno passo para o Vaticano, um grande passo para a América Latina (?)



Nossa hermaníssima santidade: Papa Francisco I


Já estava me acostumando com o papa Bento XVI de aviso prévio. Aliás, que figurinha pouco carismática!. Na época da eleição dele, escrevi pra revista Carta Capital, movida um espírito revolucionário eufórico. Embora não tenha nada de revolucionário da eleição de um papa. Fiquei boquiaberta quando ele renunciou. Isso sim, era uma atitude revolucionária. Um papa mostrar a face decadente e agonizante da Igreja. Já era hora de admitir, né não?

Mas confesso que fiquei emocionada com a escolha de um papa argentino.Tive formação católica (sin perder la ternura) e uma mãe militante da Teologia da Libertação (jamás). Lembro muito bem de vê-la bater na tecla da desromanização da Igreja e da criação de uma igreja do povo. Uma igreja latino-americana. Realmente, fico feliz por ela ter presenciado esse momento. Não sei se a escolha de Jorge Mario Bergoglio como Papa Francisco I ( Chico I ou Paco I) irá trazer de volta os  ideais de uma igreja moderna com fiéis pensantes como ela almejava na década de 80/90.  Ainda é muito cedo para sabermos se o pequeno passo de Francisco I no Vaticano representará um grande passo para a América Latina.
Pelo menos ele é mais bonitinho que o papa anterior.

terça-feira, 12 de março de 2013

Volta às aulas!


Foto: Acervo Comunicar/PUC-Rio


As aulas começaram hoje!

O curso Tópicos avançados  de teoria e críticas contemporâneas_ Novas subjetividades e outros valores: o reencantamento no pós-moderno me deixou bastante animada e cheia de expectativa. As aulas serão ministradas pela professora Eliana Yunes e Tereza Estarque.
A bibliografia escolhida:

1.A revolução do amor (Luc Ferry)
2. Ensaio sobre a dádiva (Marcel Mauss)
3. Antropologia do dom (Alan Caillé)
4. o caminho da esperança (Stéphane Hessel e Edgar Morin)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Hugo Chávez, o americano do Sul (crônica de Raimundo Aragão)

Chávez em comício. Foto: AFP

A opinião da Globo nós já sabemos. Agora vamos ver por outro ângulo. Afinal, somos um país democrático.



Hugo Chavez, o americano do Sul.


Raimundo Nonato Aragão
Cronista


A  morte de Chavez deixa a América do Sul mais pobre de líderes. Ele encarnou  o sentimento nacionalista, bolivariano, latente nos nativos resistentes ao invasor europeu que massacrou e aculturou nosso povo a  partir do seu desembarque neste continente. Era o único chefe de estado da região a se opor de forma clara à política intervencionista praticada pelo bloco Europa/ Estados Unidos. Não rezava de joelhos nas cartilhas do capitalismo e do neoliberalismo. A alinhado com o governo cubano, estrategicamente não ultrapassava os limites que pudessem deixar a Venezuela isolada dos grandes  mercados como ocorreu com Cuba ou na mira dos canhões da OTAN, a exemplo do Afeganistão, Iraque e Síria. 
Irrequieto, exibido,falante, carismático, elegeu-se presidente da Venezuela e foi reeleito com amplo apoio popular em mais três pleitos,  além de ter seu nome referendado em plebiscito realizado em 2004. Sua política voltada para os mais pobres, faixa onde se enquadra a  imensa maioria dos venezuelanos, provocou críticas ferozes dentro e até fora do seu território. Foi insistentemente acusado de truculento, populista e ditador, por  disputar sucessivos mandatos.
 É natural que os líderes políticos tenham adversários, até inimigos mortais, em seus países ou em seus domínios, no caso das grandes potências.   É de se estranhar, porém,  a quantidade de brasileiros  que execravam Hugo Chavez. A Venezuela é uma nação pobre, sem influência política além das  suas fronteiras e uma grande parceira comercial do Brasil, cujo saldo entre exportação e importação nos é inteiramente favorável.
   A rejeição será por influência da revista Veja que moveu campanha sistemática contra Chavez, visando provocar a esquerda brasileira? Ou tem origem antropológica ou racista, uma vez que o falecido presidente tinha  sangue e cor  dos povos primitivos da América, valorizava suas origens e os brasileiros na sua maioria são, ou imaginam ser, étnica e culturalmente herdeiros do colonizador europeu?
O general Augusto Pinochet derrubou em 1973 o governo democrático do Chile em golpe militar no qual morreu o então presidente Salvador Allende. Há registros de que assassinou, prendeu, torturou dezenas de milhares opositores, expulsou milhares estudantes das universidades e desempregou por motivos políticos cerca de  200 mil operários.   Manteve o país sob feroz ditadura até 1990.
O general Alfredo Stroessener tornou-se ditador no Paraguai também através de golpe militar  e se manteve no poder absoluto durante 35 anos. Deu proteção a criminosos nazistas, entre estes, o carrasco Josef  Mengele. Foi um dos pilares da “operação condor” que promoveu seqüestros, assassinatos, torturas em toda a América do Sul. Antes de morrer tranqüilo em Brasília no ano de 2006, respondeu  a inúmeros processos por corrupção.
Chile e Paraguai também são nossos vizinhos e não me recordo de a grande imprensa brasileira ou mesmo o cidadão comum fazerem críticas tão ácidas a seus ditadores sanguinários quanto faziam a Chavez que, por sinal, nunca foi acusado de corrupção ou de torturas, assassinatos e outras atrocidades. Afinal, Pinochet era filho de militar de origem francesa e Stroessener era filho de alemão. Comparado com essas feras o “índio” Hugo Chavez era um anjo bom que retornou ao Paraíso.
Embora não conseguindo implantar a igualdade social por ele pretendida, a história não poderá negar  que Chavez devolveu a seus irmãos que, por sua morte  encharcaram de lágrimas ruas de Caracas, uma dádiva caríssima aos miseráveis, infelizes e desamparados: a esperança. Espero que este sentimento não seja enterrado junto com seus restos mortais.


terça-feira, 5 de março de 2013

Em cima das árvores

Na  Casa José de Alencar, em 2008.

Desde que criei esse blog  me recordo dessa foto.
 Foi tirada por uma amiga, Carmina Dias, em janeiro de 2008, durante o intervalo de uma reunião do Movimento Proparque na Casa José de Alencar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cenas dos próximos posts

O livro de memórias da profª Azar Nafisi, O que eu não contei (2009), está fazendo parte da minha leitura diária nessas férias. Ao lado, o livro Orientalismo (2007) de Edward Said. Ambos são a complementação para um futuro e esperado post sobre o trabalho da autora Lendo Lolita em Teerã (2010) que une Literatura e resistência.



Folder do show em comemoração dos 70 anos do músico e poeta tijucano, carioca, brasileiro, universal, Jards Macalé, que tive o privilégio de estar presente com meu n-amor-amigo-ado, Marcos. Houve a participação da Adriana Calcanhotto (com longas madeixas), Thaís Gulin (atual do Chico) e Ava Rocha ( filha de Glauber Rocha). Quem sabe, finalmente, não escrevo sobre música?





Estômago (2007), filme de estreia de Marcos Jorge. Vi na sexta-feira e me de uma mãozinha hoje na hora de preparar o almoço. Claro, é um filme de ácido suspense. Destaque da foto para Fabiula Nascimento e João Miguel.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Um presente de grego no aniversário do Rio




Fim de tarde no Rio. Engarrafamento. Chuva.  Nada de ônibus!



 Hoje, 1º de março de 2013, é aniversário do Rio, 448 anos.

Na TV, comemorações sobre o MAR, o Museu de Arte do Rio que também será uma escola com mesmo fim. O museu é uma parceria da Fundação Roberto Marinho e a prefeitura do Rio. Entende-se tamanha divulgação e o tamanho do empreendimento!

O problema é que hoje, no aniversário da cidade, não fez sol como gostam os cariocas. Está nublado e com aquela chuvinha fininha, chatinha...intermitente.
E a grande surpresa foi a greve dos ônibus. Mais de 1 milhão de pessoas dependem do transporte coletivo aqui.

Da janela, vejo as pessoas caminhando, amontoando-se nas vãs, nos táxis, nos poucos ônibus que circulam.

Mas acho que a inauguração do MAR não vai sofrer com essa greve, afinal, os convidados para essa noite tão ilustre não precisam de transporte coletivo.